ESTÁTUA FALSA

Só de ouro falso os meus olhos se douram;
Sou esfinge sem misterio no poente.
A tristeza das coisas que não foram
Na minha'alma desceu veladamente.

Na minha dôr quebram-se espadas de ansia,
Gomos de luz em treva se misturam.
As sombras que eu dimano não perduram,
Como Ontem, para mim, Hoje é distancia.

Já não estremeço em face do segredo;
Nada me aloira já, nada me aterra:
A vida corre sobre mim em guerra,
E nem sequer um arrepio de medo!

Sou estrela ébria que perdeu os ceus,
Sereia louca que deixou o mar;
Sou templo prestes a ruir sem deus,
Estátua falsa ainda erguida ao ar…

Where this text comes from

First published in Dispersão (Lisboa, em casa do autor). Author's edition, 250 copies. Title page dated 1914; colophon 26 November 1913. An earlier periodical printing has not been established. [1]

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Taken from Project Gutenberg, gutenberg/21799, 21799.html. Rights: public domain (Project Gutenberg transcription; underlying text pre-1931).

Earlier sources (1)

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Cite this poem

Mário de Sá-Carneiro (1890–1916). “ESTÁTUA FALSA.” First published in Dispersão (Lisboa, em casa do autor). Text: Poem Index, https://poemindex.org/mario-de-sa-carneiro/estatua-falsa/. Append #L14 to cite line 14, or #L4-L9 for lines 4–9.

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